A vida é o que fazemos d'ella. as viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos. Fernando Pessoa In O Livro do Desassossego
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando
A imensa curva norte-sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega num muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá
Texto - Vinicius de Moraes - Imagem - Beatriz Milhazes
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
A caminho de nenhures...
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Casamentos e Divórcios
De crise em crise...
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Liberalismo Libertino

Terrorismo Social
Nos EUA surge sempre como justificação a facilidade de obtenção de armas assim como a repressão social dos meios mais provincianos. Que dizer então de sociedades como a Britânica e a Finlandesa? Parece haver um mal-estar transversal que afecta as camadas de população mais jovem cuja única libertação para a raiva ou frustração recalcada é matar indiscriminadamente e acabar com a própria vida.
Estaremos perante uma forma de terrorismo social? Se a motivação não é o fanatismo religioso nem questões económicas, algo de muito errado aconteceu no percurso destes jovens que os levou a um estado de alienação de tal ordem que única forma de integração foi a desintegração total levada a cabo pelo assassinato dos seus semelhantes e consequente, ou não, suicídio.
domingo, 21 de setembro de 2008
A Sopeirinha

Sinais da crise
domingo, 31 de agosto de 2008
Carla Bruni - L'amoureuse
L'amoureuse
Il semble que quelqu’un ait convoqué l’espoir
Les rues sont des jardins je danse sur les trottoirs
Il semble que mes bras soient devenus des ailes
Qu’à chaque instant qui vole je puisse toucher le ciel
Qu’à chaque instant qui passe je puisse manger le ciel
Les clochers sont penchés les arbres déraisonnent
Ils croulent sous les fleurs
au plus roux de l’automne
La neige ne fond plus la pluie chante doucement
Et même les réverbères ont un air impatient
Et même les cailloux se donnent l’air important
Car je suis l’amoureuse, je suis l’amoureuse
Et je tiens dans mes mains la seule de toutes les choses
Je suis l’amoureuse, je suis ton amoureuse
Et je chante pour toi la seule de toutes les choses
Qui vaille d’être là qui vaille d’être là
Le temps s’est arrêté les heures sont volages
Les minutes frissonnent et l’ennui fait naufrage
Tout paraît inconnu tout croque sous la dent
Et le bruit du chagrin s’éloigne lentement
Et le bruit du passé se tait tout simplement
Les murs changent de pierres
Le ciel change de nuages
La vie change de manières et dansent les mirages
On a vu m’a-t-on dit le destin se montrer
Il avait mine de rien l’air de tout emporter
Il avait ton allure ta façon de parler
Car je suis l’amoureuse, oui je suis l’amoureuse
Et je tiens dans mes mains la seule de toutes les choses
Je suis l'amoureuse, je suis ton amoureuse
Et je chante pour toi la seule de toute les choses
Qui vaille d’être là qui vaille d’être là
Kafka à Beira Mar
«Há anos que Nakata não sabia o que era ver o mar, uma vez que não havia mar em Nakano. Agora, pela primeira vez, dava-se conta das muitas saudades que tinha. Durante todos aqueles anos não pensara sequer nisso. Como que a confirmar esse mesmo facto, acenou afirmativamente com a cabeça, esfregou o pouco cabelo que tinha, voltou a enfiar o gorro e deixou-se ficar ali durante muito tempo, sem tirar os olhos do mar. Tudo o que sabia acerca do mar confirmava aquilo que os seus olhos abarcavam: estendia-se a perder de vista, a água sabia a sal e era lá que os peixes viviam.
Ficou sentado no banco, a respirar o ar do mar, vendo as gaivotas a voarem em círculos por cima da sua cabeça, observando os barcos ancorados ao largo. Olhava e olhava e não se cansava do que via. Volta e meia uma gaivota branca pairava sobre as verdes ervas de Verão e pousava no parque. O contraste do branco com o verde dava um belo quadro. Nakata tentou chamar uma gaivota que andava por ali a passear na relva, mas ela não lhe deu resposta, limitando-se a lançar um olhar impessoal. Não se via nenhum gato. Os únicos animais no parque eram as gaivotas e os pardais. Enquanto Nakata bebia pequenos goles de chá do seu termo, começou a pingar, e ele abriu o seu precioso chapéu -de-chuva.»
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Globalmente falando
Nem o pai morre...
Urbanidades
domingo, 4 de maio de 2008
Amores Perros
Imperdivel. A vida é, de facto, uma estranha equação matemática. Alejandro Gonzalez Iñarritu conseguiu filmá-la.
Quebra de silêncio
sábado, 29 de março de 2008
«Lideranças Acéfalas»
sexta-feira, 7 de março de 2008
A vida é injusta

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Obras no caminho
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Cartinhas
Carlos, o Carvalho
(HP Portugal)»
Folgo em saber que continua na Hipólito Pneus. Grande firma, alguns produtos fraquinhos, mas grande firma.
Felicito-o por não olvidar a humidade Primaveril, tão necessária que é à vida humana. Infelizmente a seca está por cá de novo...e parece ser a pior de todas.
E família, como é? Já é bi-pai ou tri-pai? Meninas tem? O meu piqueno, de dois anos, já está na idade de lhe encontrar noiva capaz.
Cumprimentos,
Carlos, o Carvalho»
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
domingo, 27 de janeiro de 2008
Ensinar a questionar - Precisa-se!
Terminada a apresentação e a discussão académica sobre os pormenores técnicos do dito relatório, vi-me confrontada com a avaliação final feita pelas professoras presentes. Tudo o que diziam fazia sentido e conseguia perceber o porquê das penalizações na nota, entretanto lá ia perguntando qual o peso do desempenho no estágio na avaliação final, visto que o mesmo havia sido bastante positivo, e que a aluna tinha revelado muito boas capacidades profissionais..., de repente não resisti e resumi em voz alta os pontos que as professoras iam apontando aqui e ali relativamente ao dito relatório:
- Falta espírito crítico, não é?
Olharam para mim concordantes e irresistivelmente continuei:
- Pois é, o Ensino continua a valorizar mais a memória e menos a dúvida...a melhor aluna da minha turma decorava tudo....
Não adiantámos muito mais a conversa, mas lá lhe deram mais um ponto.
Ecologicamente Incorrecto

A utilização de combustíveis elaborados a partir de produtos agrícolas (nomeadamente de cereais) está a revelar-se perigosa em termos ambientais e sociais. As superfícies cultiváveis serão usadas para estas mega produções em detrimento de outras destinadas à alimentação. O impacto na subida de preços de bens essenciais como o leite, o pão, e muitos outros alimentos, far-se-á sentir como nunca. Se não se põe mão nisto estamos a resolver o problema das energias não renováveis criando outro ainda maior. A conta do supermercado já reflecte os efeitos desta nova corrida ao «petróleo vegetal».
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
A Vida dos Outros
Andando arredada das salas de cinema, as películas chegam cá a casa com algum atraso, mas nem por isso ficam esquecidas. Esta vale a pena, ver e rever.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
A crise do Referendo
domingo, 6 de janeiro de 2008
Luiz Pacheco

Fica a obra a dar sentido ao sonho.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
O Tédio Nacional
Tudo isto é verdade e já se sabe. Não sou diferente e estou no mesmo barco que toda essa gente, talvez com a sorte, e também a opção, de trabalhar relativamente perto da minha residência, o que reduz de certa forma o tempo na estrada, de resto é igual. É uma boa vida? Depende do ponto de vista, o que não tem de ser é uma ausência de existência como transparece sempre das ditas reportagens, em que os intervenientes aparecem como vitimas de um total sacrifício, castigo ou punição simplesmente porque têm de trabalhar todos os dias e educar os filhos como podem. Trabalhar é uma chatice, mas é preciso. E que bom que é ter trabalho, nos dias que correm. O que não é bom é a alienação ao que nos rodeia. Fico sempre com a sensação de que faltou abordar o ponto essencial, que é este. É uma canseira de vida, mas nunca tantas coisas foram tão acessíveis a tanta gente, o que faz a diferença é a forma como olhamos para essas coisas. As peças jornalísticas de que falo, cuja intenção deverá ser abordar a difícil logística decorrente da vida nas grandes cidades e as dificuldades diárias das famílias, acabam invariavelmente por deixar um retrato de pessoas que se deixaram alienar por uma espécie de existência transcendente, no mau sentido, no sentido em que toda a sua vida se resume ao entediante sacrifício de ir trabalhar, regressar a casa no final do dia para uma entediante vida doméstica, com os olhos posto no entediante dia seguinte, igual ao anterior. Com todas as minhas correrias diárias, que são bastante consideráveis, não me revejo nesta abordagem e ainda bem.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Carta de Intenções para 2008
Então aqui vai, para que fique registado:
- Escrever mais sobre diversos e variados assuntos de interesse nacional e moderadamente pessoal neste lindo blogue, que à falta de remendos trocou o traje completo.
- Ler mais.
- Ler mais.
- Ler mais.
- Aprender a tocar guitarra (isto costuma dar aos 16, mas como só agora me ofereceram uma, talvez ainda vá a tempo de aprender a tocar o fungágá da bicharada para cantar com o meu filho).
- Tornar-me hipocondriaca (ir a médicos de todas as especialidades, oftamologista e dentista em particular).
- Visitar a Escócia.
- Terminar a Formação de Alemão (em curso) com nota máxima.
- Perder 3 quilos (Não escapei à regra da fofura natalícia).
- Voltar a fumar (esta não é para levar a sério).
- Ir ao Ginásio (esta também não).
Assim de repente não me sinto intencionada a muito mais, e como o inferno está cheio, deixemos as boas intenções por aqui.
Ar Fresco
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Aeroportos imaginários, dinheiros para as ilhas que são suspensos e que por decisão dos tribunais voltam a ser atribuidos, provas de exame c...