Tanta gente incomodada com o casamento entre pessoas do mesmo sexo, já incomoda. Tanta moralidade enjoa e dá náuseas. E que tal referendar a estupidez? É um tique da direita querer meter sempre o bedelho na vida do próximo, ou é impressão minha? Como costuma dizer uma amiga minha: Tenham juizo!
terça-feira, 5 de Janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Silêncio
Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli
Ar de Outono

Gosto do céu de Outono. Aquele céu cor de chumbo com o sol a espreitar, muito amarelo, a incidir nas folhas caídas. O chilrear dos pássaros ao fim da tarde em busca de abrigo para a noite. O cheiro das castanhas nas ruas. O casaco que sai do armário para nos aconchegar. O cheiro a terra molhada das primeiras chuvas. O regresso às aulas. Os cadernos e livros novos (tenho saudades). A cor do rio. As luzes que se acendem mais cedo na cidade. O chá das cinco ao fim de semana. Os livros que se lêem naquele cantinho preferido lá de casa. Brincar com o meu filho e ver a chuva a cair lá fora. As nozes. Os jantares em casa com os amigos. Afinal a despedida do Verão não é assim tão má.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Á espera de Godot
O mês de Outubro passou num ápice, entre eleições autárquicas, as guerras e intrigas partidárias do costume, a polémica da Maitê, as «blasfémias» do Saramago, os espirros da gripe, a tomada de posse do governo, as estatísticas que nos confundem, défice para cima, desemprego para cima, índices de confiança para cima (em oposição a todas as estatísticas da desgraça), poupanças dos portugueses que aumentam, a inflação para baixo, enfim uma grande trapalhada, cujo desfecho se adivinha longe e com muitas peripécias pelo meio. O melhor que podemos esperar é nada esperar e tentar sobreviver à avalanche.
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