domingo, 13 de setembro de 2009

Vitória!



Não ficaria esta viagem completa sem uma incurssão no País Basco que ficou mais uma vez registado como RQMUVD- Região que merece uma viagem dedicada. Ficará para uma próxima.

Bassin d'Arcachon





Para terminar o périplo fomos à praia sim senhor. Depois de tanto passeio lá fomos dar descanso às pernas durante três dias na Bassin d'Arcachon que fica ali perto de Bordéus (por onde passámos muito a despachar. O problema das férias é que terminam e não nos deixam tempo para ver tudo o que desejávamos).

Sarlat-La-Canéda







Sarlat passou a figurar no meu catálogo pessoal de cidades «fascinantes e transitáveis a pé». Mais do que corresponder na integra às expectativas criadas pelo guia American Express, não desilude no que à vista e ao olfacto diz respeito. Sarlat conserva nas labirínticas ruas medievais o cheiro da pedra húmida primordial. Ao virar de cada esquina, como em todo o lado em França, não faltam as belas esplanadas que convidam à contemplação, para que nada fique à mercê da pressa do turista mais distraído. O comércio em Sarlat é bastante intenso, seja pela quantidade de lojas existentes, seja pelo mercado de rua. Irresistíveis, são as lojas que vendem produtos gourmet.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Dordonha


Nem que fosse a propósito. Nas minhas leituras de viagem levei, como levo quase sempre, um livro do Henry Miller (tenho um fascínio por este escritor desde a adolescência e gosto da sua companhia quando viajo), desta feita enveredando pela leitura de O Colosso de Maroussi, deparei-me, exactamente, quando visitávamos a região da Dordonha com esta passagem que define o quão inspirador este sítio pode ser.

«Uns meses antes de rebentar a guerra, resolvi tirar umas longas férias. Para começar, há muito tempo que desejava visitar o vale de Dordogne. Por isso fiz a mala e meti-me no comboio para Rocamadour, onde cheguei de manhã cedo, perto do nascer do Sol e com a Lua ainda a brilhar luminosamente. Foi um rasgo de génio da minha parte percorrer a região da Dordogne antes de mergulhar no mundo luminoso e antigo da Grécia. O simples vislumbrar em Domme, o negro e misterioso rio da bela fraga da orla da cidade é algo para ficar grato durante o resto da vida. Para mim, este rio, esta região pertence ao poeta Rainer Maria Rilke. Não é francesa, não é austríaca, não é sequer europeia: é o território do encantamento que os poetas demarcaram e que eles e só eles podem reivindicar. É o que existe mais próximo do Paraíso deste lado da Grécia. Chamemos-lhe o paraíso do homem francês, a título de concessão. Na realidade, deve ter sido um paraíso durante muitos milhares de anos. Acredito que deve tê-lo sido para o homem de Cro-Magnon, apesar dos vestígios fossilizados das grandes cavernas que apontam para condições de vida assaz desorientadoras e aterradoras. Acredito que o homem do Cro-Magnon se fixou aqui porque era extremamente inteligente e tinha um sentido do belo altamente desenvolvido. Acredito que o seu sentido religioso já estava também altamente desenvolvido e floresceu aqui apesar de ele viver como um animal nas profundezas das cavernas. Acredito que esta região tranquila da França será sempre um lugar sagrado para o homem, e que quando as cidades tiverem dizimado os poetas este será o refúgio e o berço dos poetas vindouros. Repito, foi muito importante para mim ter visto a Dordogne: isso dá-me esperança para o futuro da espécie, para o futuro da própria Terra. A França pode um dia deixar de existir, mas a Dordogne continuará a viver, do mesmo modo que os sonhos continuarão a viver e a alimentar as almas dos homens.»

Henry Miller in O Colosso de Maroussi

The Day That Never Comes

Les Eyzies


Les hommes de Cro-Magnon estiveram aqui em abundância. No museu da pré-história em Les Eyzies podemos contemplar pinturas rupestres e outras artes dos tempos recônditos em que os homens estavam mais perto da sua animalidade. Será que a espécie evoluiu de facto ou limitou-se a trocar o Sílex pelas armas de destruição massiva? Muitos dirão que não, mas a avaliar pelo estado do planeta é difícil discernir para onde evoluímos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Rocamadour


Que grande canseira! Não tenho vocação para peregrinações, devoções e auto flagelações. Rocamadour é um local de culto cristão, não foi essa a motivação que nos levou até lá. O que nos atraiu foi mesmo a beleza do local. Uma construção espectacular num penhasco altaneiro. Felizmente que a engenharia inventou os ascensores para facilitar turistas fraquinhos e pouco dados a estóicos sofrimentos cristãos. Pouco antes da hora destinada à missa passou por mim um padre vestido a rigor de batina que quase me converteu.

Com ou sem FMI...